quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O próximo passo


Como a Orientação Profissional colabora para o jovem ficar mais próxima da opção correta

Assumir riscos. Pensar, analisar e refletir sobre variados aspectos - pontos positivos e negativos - antes de definir o melhor caminho a seguir. Nem sempre alcançamos tal decisão de maneira rápida e segura, mas é preciso ir adiante e se capacitar devidamente para enfrentar a situação de frente, com segurança. O ritmo acelerado do cenário profissional exige e, cada vez mais cedo, os adolescentes precisam tomar decisões e escolher a futura profissão. A preparação começa no final do Ensino Fundamental e se estende até o terceiro ano do Ensino Médio.

O mercado de trabalho oferece inúmeras possibilidades, variados caminhos a seguir. Proporcional às possibilidades são as dúvidas que surgem nas mentes dos jovens. Aquele friozinho na barriga, a angústia, é inerente a esse processo de escolha, pois ao optar por algo, estamos necessariamente abrindo mão de outra(s) possibilidade(s) com potencial de realidade. Escolher faz parte do nosso dia a dia. Isso ocorre até mesmo quando deixamos de escolher ou repassamos essa responsabilidade a outrem. Consciente ou inconscientemente, optamos o tempo todo.

Quem somos? O que queremos? O que sentimos? Ter na ponta da língua as respostas dessas três perguntas é um passo mais do que fundamental para alcançar o desejo possuir uma vida profissional convicta, mais próxima do sucesso. Ainda mais quando se tem aproximadamente 200 cursos universitários no País (como noticiou o Guia do Estudante). Há um consenso entre os especialistas da área da Psicologia e da Educação de que quando fazemos escolhas conscientemente, mais capacitado, temos maior chance de acertar.

Ou seja, a Orientação Profissional auxilia o jovem no processo de escolha da futura profissão, permitindo que ele faça uma opção condizente com seus valores, desejos e objetivos em prol do seu projeto de vida. Esse processo ajuda o jovem a construir um projeto de vida, através do autoconhecimento e do conhecimento das diversas profissões.

Capacidade de decisão

Wesley Zukowski, pastor do Instituto Adventista Brasil Central (IABC), e Alex Landim, diretor de Marketing do Instituto Adventista Paranaense (IAP), falam a respeito da importância desse processo de orientação.

1 – Como isso ocorre nas instituições em que vocês atuam?
Wesley: Mantemos um programa de testes vocacionais amplo, que proporciona condições de os alunos avaliarem suas habilidades e potencial para, então, decidir em que área profissional seguir em busca da plena realização.
Alex: O IAP trabalha com projetos que despertam desde cedo nos alunos o interesse por conhecer melhor a profissão. Convidamos alguns pais, representantes da comunidade ou um grupo de profissionais para virem à escola com o intuito de compartilhar experiências e esclarecer dúvidas.

2 - De que forma essa orientação colabora com os alunos?
Wesley: Levando-os a se conhecerem melhor, inclusive o nível de ambição, ritmo de trabalho e habilidades sociais, psíquicas e motoras. Assim, o aluno terá mais suporte para identificar se a área escolhida é mais voltada para serviços manuais, relacionamentos, liderança ou até se ela não exige muita socialização.
Alex: Os alunos passam a analisar melhor suas áreas de interesses, aptidões específicas e gerais. Esse processo revela tendências e habilidades em área de trabalho. O objetivo da Orientação Vocacional é associar esses campos e sugerir caminhos ou tendências profissionais, que possam estar mais próximas das possibilidades, capacidades e interesses do educando.

Pais, nada de pressionar

Que os pais desejam o sucesso profissional de seus filhos não é segredo pra ninguém. Mas a boa intenção, aquela reconhecida preocupação, pode se transformar em empecilho, pressão exacerbada sobre os filhos. Quando isso ocorre é muito importante dialogar. A preocupação dos pais deve ser direcionada para que o filho consiga identificar a profissão ideal para o seu perfil. Gostar do que se faz é um fator muito importante para o sucesso.

A psicóloga Adriana Alves acredita que “uma boa dica é que os pais dividam suas experiências de vida e de escolha profissional. Por sua vez, os filhos podem dividir seus sonhos, projetos e dúvidas. O importante é a troca de pensamentos, o ouvir, acolher e respeitar o outro. Esse processo é importante para a vida toda, independe de idade.”


Tempo para o conhecimento

No mundo atual, como podemos auxiliar os alunos a descobrirem sua vocação profissional? Eis um grande desafio inerente a alguns profissionais, principalmente aqueles que são ligados à área da educação. Jonice Martini, coordenadora pedagógica do Colégio Adventista de Bauru - Associação Paulista Oeste (APO) -, acredita que a difícil tarefa deve ser abraçada pela classe.

“A orientação vocacional não uma função exclusiva do psicólogo. Nós, educadores, não só podemos como devemos participar da escolha profissional de nossos alunos, pois temos possibilidades muito mais amplas do que as que são impostas pelo mundo”, diz. “Caso não consigamos mostrar para nossos alunos o que eles podem fazer com a vida deles, então, precisamos repensar nossa postura e até mesmo nossa profissão”, complementa.

Para ela, a dúvida não pertence apenas aos mais jovens. “Até conosco, adultos e já formados, há o questionamento da ordem: ‘O que eu faço com a minha vida?’ É certo que a ideologia capitalista neoliberal usa disso para manipular e colocar entraves para a realização profissional”, indica.

Como ponto de partida, é necessário nos conhecer efetivamente e, a partir daí, fazer algo que nos realize. Para isso, precisamos de tempo para nós. “Se eu não me conhecer, não serei capaz de me realizar como pessoa e, consequentemente, com meu futuro profissional. Não basta se conhecer, é preciso também se aceitar e gostar de si mesmo”, conta Jonice.

A lógica é: se não me aceito, em primeiro lugar, não aceito os outros; se não gosto de mim, não gosto do outro. É uma via de mão dupla. “A orientação vocacional passa por nós apenas quando entendemos a realidade da nossa vida. Assim, podemos levar o aluno a refletir sobre suas características, personalidade, potencialidades, aprendendo a escolher e a abordar situações conflitivas. A orientação vocacional é que vai auxiliar o jovem a adaptar-se melhor à vida, e elaborar seu projeto de vida.

Tadeu Inácio
Matéria publicada na edição 41 da Revista Mais Destaque

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Entre tapas e beijos


O que fazer quando o ciúme entre irmãos atinge o lar de uma família? Algumas características e motivos em comum podem ajudar os pais nessa difícil missão

Inquietação mental causada por suspeita ou receio de rivalidade no amor ou em outra aspiração, vigilância ansiosa, ressentimento invejoso contra um (suposto) rival ou mais eficiente. Enfim, muitos são os significados contidos no dicionário para descrever a palavra ciúme. Depois dessa pequena explanação já fica claro e evidente o perigo que essa “inquietação” pode causar nas mais variadas formas de relacionamento. Agora, quão difícil fica se isso ocorrer entre irmãos, sobretudo crianças? Dor de cabeça aos pais...

Especialistas são enfáticos ao afirmarem que esse sentimento geralmente se inicia por volta dos quatro anos de idade, fase em que a criança começa a ter percepção do irmão como rival. Não se trata de uma ideia fixa (afinal, cada caso tem suas particularidades), mas é especialmente nessa faixa etária que o sentimento vem à tona. Um bom motivo para que essa competição exista e aconteça entre os irmãos, segundo estudos, é a busca para se conseguir o carinho e a atenção dos pais. Para eles, o ato de dividir contém uma grande dificuldade.

Teresa Artola González, doutora em Psicologia pela Universidade Complutense de Madri (ESP), abordou o tema em seu livro "Como resolver situações cotidianas de seus filhos de 0 a 6 anos". Para ela, a origem dos ciúmes pode, em alguns casos, se situar nos sentimentos de insegurança e inadaptação da criança. “Estes sentimentos de insegurança costumam ser conseqüência de ter se sentido recusado ou ridicularizado na infância ou de uma educação excessivamente negativa baseada no repúdio e na crítica severa por parte dos pais”, diz.

A rivalidade criada entre os irmãos para conseguir o carinho e a atenção dos pais é a causa mais frequente desse problema, principalmente se houver o nascimento de um novo irmão. Diante dessa situação, a criança passa a se sentir abandonada. Sentimentos de culpa e baixa autoestima.

O cenário também pode ocorrer na situação inversa, do irmão menor para o maior. Isto ocorre quando o mais novo vê em seu irmão um "teto impossível de rebaixar", como define Tereza. Ou seja, um “rival” que sempre faz tudo melhor que ele e que goza de certos "privilégios" (não concedidos a ele). “Os favoritismos e preferências que os pais manifestam, inconsciente, por um dos filhos pode dar origem a sentimentos de ciúme nos outro irmão”, alerta a autora.


A importância do diálogo

Mas, se você passa por isso em sua casa, não se sinta como um soldado solitário em meio à guerra. Estudiosos do assunto esclarecem que o ciúme é um sentimento que ocorre em todas as famílias, e uma das formas de lidar com ele é mostrando à criança que o irmão não chegou para dividir o lugar, e que ela continuará sendo amada e tendo o seu espaço na família.

Se porventura o ciúme seja expresso na prática, não existe outra saída a não ser sentar e tratar sobre a situação abertamente, sem rodeios. Toda a convivência entre os irmãos recebe grande influência dos pais. Alguns especialistas dão dicas de como lidar com essa situação:

• Amor, afeto e carinho não devem ser expressos somente por meio de palavras, mas também com atitude;
• Destaque as qualidades da criança, uma vez que é essencial para a autoestima;
• Evidencie para a criança a importância que ela tem na família;
• Não a compare com o outro irmão.

Amor e ódio

Através dos ciúmes, a criança reclama a ausência de atenção das pessoas cujo afeto teme ter perdido. A Psicologia apresenta uma série de condutas características:

- Condutas regressivas: Voltar a fazer xixi na cama, chupar o dedo ou não querer comer sozinha;
- Irritação, nervosismo e agressividade: Essa agressividade invejosa costuma se manifestar na obstinação, como oposição sistemática. Ela constitui uma grande arma para atrair a atenção dos adultos;
- Sentimentos contraditórios: Uma mistura de amor e ódio para com o (novo) irmão. Por um lado lhe quer bem, mas por outro experimenta uma grande agressividade;
- Agressividade dissimulada: Às vezes, a criança ignora o irmão ou nega sua presença.

Em outras ocasiões, pode mostrar condutas hostis e agressivas ou muito carinhosas. Enfim, os ciúmes podem se manifestar de formas mais dissimuladas. Atenção nunca é demais. “Em geral, quanto mais afetuosos se mostram os pais com seus filhos, menos perigos correm de que se tornem ciumentos. Se todas as crianças da família estão satisfeitas pelo afeto recebido dos pais, não terão a inclinação a sentir ciúmes”, relata Tereza.

“Identifique e destaque as características positivas de cada filho” Andreia Tonão, psicóloga

-Durante a rotina familiar, que situações podem contribuir para que o ciúme ocorra entre os irmãos?

Existem várias situações. Dentre elas, a vinda não muito bem aceita ou esclarecida de um irmãozinho. Isso pode acarretar algumas mudanças, como de quarto, de escola e até mesmo, infelizmente, a falta de diálogo, já que os pais passam a direcionar maior atenção e cuidado ao bebê. A situação também pode ocorrer inversamente, do filho menor para com o maior.

-Como a criação, sobretudo dos pais, pode colaborar nesses casos?

As atitudes tomadas pelos pais têm grande importância para que o ciúme passe a existir. É necessário habilidade e equilíbrio nos elogios e estímulos. O ideal é reservar tempo para cada filho e realizar programas, tanto juntos como separados. A criança precisa entender que é querida e amada.

-Que outras pessoas podem colaborar nesse processo?

Em alguns casos, o processo é coletivo, já que envolve pais, avós e demais familiares. Eles costumam participar diretamente do convívio familiar. Evite dar atenção somente ao filho mais novo e as famosas comparações. Priorize identificar e destacar as características positivas de cada filho.

-Como identificar que o quadro necessita da atuação de um psicólogo?

Quando a criança começa a praticar algumas condutas regressivas, como voltar a fazer xixi na cama, não querer comer sozinha, excesso de linguagem infantil, a se mostrar irritada e agressiva. Ou seja, se os ciúmes passar a impedir a relação social entre os irmãos é necessária a avaliação de um profissional.

-De que forma a Psicologia atua nesses casos?

Ela trabalha principalmente com a autoestima e a autoimagem para que a criança perceba que também é importante e especial.

-Como funciona o tratamento?


Em casos mais leves, pode ser realizado através da ajuda dos familiares, do diálogo, compreensão e demonstração de carinho. Outras situações exigem encaminhamento ao psicólogo.

Tadeu Inácio
Texto publicado na edição 41 da Revista Mais Destaque

www.maisdestaque.com.br

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Atletas de final de semana na medida certa



Diversão, socialização e contato com a natureza. Muitos são os atributos quando falamos de atividades físicas. Porém, a história não é tão bonita como se parece. Rotina profissional, familiar e o avanço tecnológico. Muitas pessoas alegam não ter tempo para se exercitarem. Sendo assim, reservam os finais de semana para tal, achando que podem perder aquela gordurinha localizada ou melhorar o condicionamento físico de forma segura e eficiente. Ledo engano. Para atingir esse nível, é importante se exercitar regularmente.

O cenário não muda muito quando falamos em sedentarismo. Ao longo da semana, alimentação rica em calorias, excesso de trabalho, horas em frente ao computador e nada de exercícios físicos. Chega o final de semana e, de repente, o desejo de compensar em algumas horas do dia todos os maus hábitos acumulados. Aí mora o perigo. A inocente pelada com os amigos ou uma despretensiosa corrida no parque pode causar desde uma incômoda contusão muscular até, em casos mais graves, lesões na coluna ou um infarto.


Especialistas são diretos em alertar sobre o perigoso adquirir esse comportamento. Quando se é jovem, raramente os efeitos são sentidos, mas depois dos 35 anos a situação passa a mudar de figura. Exercícios de alta intensidade e sobrecarga podem representar futuras lesões, além de não melhorar em nada o condicionamento físico. O corpo despreparado à prática esportiva sofre. Por isso, antes de iniciar as atividades, faça uma avaliação médica.

Para maiores esclarecimentos sobre o assunto, conversamos com o cardiologista do Hospital Adventista de São Paulo (HASP), Everton Padilha, que avisa: “Não seja um paciente dolorido da segunda-feira.”

Quais os principais cuidados que um atleta de final de semana deve tomar?

Moderação e cautela são essenciais nesse caso. Alongue os grupos musculares de braços, pernas e tronco antes de qualquer atividade. Aqueça-se com uma caminhada de pelo menos 20 minutos. A atividade deve ser recreativa, nada de “tirar o atraso”.

Quais os problemas mais comuns que essas pessoas sofrem?

O mais comum é o aparecimento de cãibras e dores musculares leves. Entretanto, lesões musculares e de ligamentos também são comuns. A musculatura pode sofrer estresse maior do que está acostumada a receber ou não se encontrar alongada de maneira suficiente. Mesma situação para os tendões e ligamentos.

E sobre a alimentação mais adequada?

Aguarde pelo menos uma hora depois de comer para iniciar a atividade, sem exagero; evite refrigerantes, gordura ou frituras; ingira líquidos em boa quantidade para combater a desidratação; use roupas leves; e, logicamente, evite bebidas alcoólicas e o cigarro.

Quais exames são necessários antes de praticarmos certas atividades físicas?

Preferencialmente, passe por uma avaliação com o educador físico e com o médico. Às pessoas acima dos 40 anos, é importante consultar um cardiologista. Normalmente, além do exame clínico, a realização de um teste ergométrico (esteira sob supervisão médica) é essencial para verificar se a pessoa tem a tendência para problemas de angina, arritmias ou hipertensão.

Tadeu Inácio
Texto publicado na edição 40 da Revista Mais Destaque
@maisdestaque

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Interatividade Educacional



O atual estágio da metodologia escolar permite situações jamais vistas. Alguém aí com mais de 30 anos de idade já tirou suas dúvidas com o professor sem sair de casa?

Conectividade e interação são grandes marcas de nossa época. Um simples clique em cada link espalhado pela internet nos oferece o que podemos chamar de “passaporte para o mundo”. A sociedade contemporânea vem passando por grandes transformações. Não citar o desenvolvimento no aspecto tecnológico entre as principais delas seria uma posição contrária ao bom senso. Afinal de contas, qual o jovem da atualidade que não se sente à vontade ao fuçar nas mais diversas “engenhocas”? Os benefícios podem somar - e muito! -, inclusive no aspecto da educação.

Entre os beneficiados, basicamente, identificamos a “Geração Z” (termo utilizado para definir os jovens nascidos a partir dos anos 80), que, como não poderia deixar de ser, foi criada em meio a uma avalanche de itens tecnológicos. Por meio deles, é possível estabelecer uma nova relação entre docentes e discentes. Um trecho do artigo publicado no portal da Educação Adventista por Ana Angélica Fernandes sintetiza bem esse raciocínio. “Segundo Peters (2003, p. 34), existe um dilema didático que diz: ‘Não bastaria proporcionar aos estudantes apenas um estudo próprio isolado com a ajuda de materiais didaticamente elaborados. Pelo contrário, dever-se-ia possibilitar-lhes, em primeiro lugar, o diálogo..., porque nisso consistiria o verdadeiro fundamento do ensino científico. (sic) ’”

A Educação Adventista, por exemplo, é um caso eficaz desse recente processo metodológico. Blogs de professores, materiais para pesquisa, artigos, conteúdos didáticos, entre outras ferramentas, atingem em cheio a atenção dos alunos. O uso de toda essa tecnologia da informação e comunicação por parte dos professores - a partir do 5° ano ao Ensino Médio - busca viabilizar a interação junto aos alunos em formação. “A velocidade da informação mudou e a quantidade de tecnologia que temos disponíveis é muito grande. Com isso, a educação tem que fazer seus ajustes devidos para que não fiquemos alheios as questões dessa geração”, analisa a professora Jonice Martini, coordenadora pedagógica do Colégio Adventista de Bauru (Associação Paulista Oeste - APO).

Uma das ferramentas mais utilizadas atualmente nessa relação de interatividade são os blogs, que representam uma maneira simples e rápida de debater assuntos pertinentes diversos. O tema é absolutamente livre, e pode ir desde a apresentação de um projeto, de uma disciplina, até comentários sobre política, como um diário, ou links para sites como indicação. Enviar fotos, vídeos e outros arquivos também estão ao nosso alcance. “Blogar”, como dizem, é muito mais do que colocar seus pensamentos na web. É se conectar com e saber mais sobre quem lê ou comenta.

Atualmente, as ferramentas propiciam “regalias” nunca antes vistas. Um bom exemplo disso é o fato de o aluno poder tirar suas dúvidas do modo online, interagindo com o professor via web. Para Alex Landim, diretor de Marketing do Instituto Adventista Paranaense (IAP), é possível comensurar a importância desse aspecto na Educação Adventista. “A internet proporciona ao aluno a capacidade de desenvolver habilidades e oportunidades de expansão para seu aprendizado”, diz. Nesse aspecto, ele também enxerga nos blogs uma boa ferramenta educativa. “Eles são preparados para os estudantes participarem de uma rede onde o conhecimento é coletivo, construído e compartilhado. Os professores podem despertar o interesse nos alunos”, acrescenta.


“Geração Z”

A grande nuance dessa geração é zapear (daí o motivo pela escolha do nome). Essa juventude muda de um canal para outro na televisão. Vai da internet para o telefone, do telefone para o vídeo e retorna novamente à internet. Garotas e garotos dessa geração, em sua maioria, nunca conceberam o planeta sem computador, chats ou telefone celular. Por isso, são menos deslumbrados que os da Geração Y com chips e joysticks.

Sua maneira de pensar foi influenciada desde o berço pelo mundo complexo e veloz que a tecnologia produziu. Diferentemente de seus pais, sentem-se à vontade quando ligam ao mesmo tempo televisão, rádio, telefone e internet. Outra característica essencial dessa geração é o conceito de mundo que possui, desapegado das fronteiras geográficas. Para eles, a globalização não foi um valor adquirido no meio da vida a um custo elevado. Aprenderam a conviver com ela já na infância.

Enquanto os demais buscam adquirir informação, o desafio que se apresenta à Geração Z é de outra natureza. Ela precisa aprender a selecionar e separar o joio do trigo. E esse desafio não se resolve com um micro veloz. A arma chama-se maturidade. É nisso, dizem os especialistas, que os jovens precisam trabalhar. Como sempre.

Fonte: Revista Veja

Prós e contras: Nova relação com o conhecimento

Muitos debates e encontros são realizados para estabelecer novas diretrizes a esse assunto. Educadores de todo o Brasil buscam o consenso na metodologia para oferecer o melhor aos alunos da Rede Adventista. “Se a escola e os educadores não se ‘conectarem’ às novas tecnologias, certamente, as aulas ficarão desinteressantes para os alunos nascidos a partir da década de 90, a quem eu chamo de ‘nativos digitais’. As crianças já nascem com a sensibilidade de se jogar no mundo virtual o mais cedo possível. É, também, uma nova forma de se relacionar com o conhecimento”, analisa Jonice.

Toda essa tecnologia apresentada tem sido mais interessante às crianças pois trabalha muito com imagem e som. O contínuo conhecimento dessas tecnologias por parte dos professores fará com que as diversas ferramentas somem a favor das aulas, incrementando-as. Informação por si só, hoje todos temos, mas o que fazer com essa informação é o que o professor pode ensinar para seus alunos, com isso ajudando-os a filtrarem aquilo que melhor podem fazer com as tecnologias para se formarem na vida escolar.

Raquel Costa, aluna do 3° ano do Ensino Médio do Colégio Adventista de Bauru, destaca o uso dos recursos tecnológicos para facilitar a rotina. Vivendo o período pré-vestibular, a estudante enumera pontos positivos e negativos no uso da internet na educação. “Destaco as informações passadas em segundos, a facilidade para pesquisas, a comunicação e o conforto. Os contras ficam por conta da falta de socialização, o desinteresse por certas coisas fora do mundo real, a exigência pela rapidez e a acomodação”, conclui a jovem.

Cuidados a tomar
Pais: Primeiramente, eles são os responsáveis em dar ou não a oportunidade da criança ter o contato com as novas tecnologias. Esse contato é necessário, mas requer ressalvas. Portanto, desde cedo, procure dosar esse contato e não os permita se perderem no mundo da virtualidade. O mundo criado por Deus é ainda a melhor escola para todos.

Professor: Enquanto orientador na utilização da internet, os professores devem estar atentos às armadilhas da internet. Afinal, utilizá-la como meio de entretenimento e livre navegação pode se tornar mais atraente do que o exercício de concentração exigido pela pesquisa. Assim, é papel do professor evitar que os alunos se dispersem.



Essa interatividade educacional exige pegar um pouco de cada recurso - modernos ou não - para que as pessoas saibam valorizar seus esforços e desfrutar mais do mundo que Deus fez para nós.

Tadeu Inácio @Tadeu_Inacio
Conteúdo publicado na edição 40 da Revista Mais Destaque @maisdestaque

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Síndrome do Pânico


Procedimentos defensivos evitam novas crises ao mesmo passo que produzem diferentes tipos de fobia

A palavra pânico é proveniente do grego "panikon" e significa medo, susto ou pavor repetitivo. Nada mais justo para descrever uma síndrome que, ao passar dos anos, vem se tornando cada vez mais frequente entre a sociedade do mundo contemporâneo: a Síndrome do Pânico. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o problema atinge aproximadamente 4% da população mundial. Trata-se de uma situação que está próximo do limite, sempre relatada de forma dramática pelas pessoas que passaram ou que ainda convivem com isso.

Dificuldade em dominar o ambiente em que se vive, fobia, suor frio, tontura, taquicardia ou falta de ar são alguns dos variados sintomas envolvidos nesses casos. Segundo especialistas, as crises duram tempos distintos – podem variar de cinco minutos até meia hora - e são três vezes mais comuns em mulheres. Pode ocorrer no meio de uma multidão, no engarrafamento, metrô, elevador, shopping, supermercado ou na fila do banco. Não há horário marcado para esse terrível encontro.

Segundo depoimentos de algumas pessoas acometidas pela síndrome, o problema ocorre devido a um processo de associação. A partir da primeira crise, qualquer estímulo interno (dor, tonteira, alterações nos batimentos cardíacos) ou externo (lugar ou cheiro) pode remeter à situações anteriores e funcionarem como o elemento necessário para uma nova crise. Nesse sentido, fazendo parte de um procedimento defensivo para evitar que novas crises ocorram, vão se produzindo diferentes tipos de fobia.

O problema está ligado à ansiedade generalizada. Um ataque de pânico começa a ganhar força horas antes do próprio surto, e se potencializam por meio da ansiedade, que se acumula ao longo das horas e dos dias. Por sua vez, essa emoção humana é definida como um estado de apreensão ou medo provocado pela antecipação de iminentes ameaças, sejam elas reais ou imaginárias. A maioria das pessoas que nunca passou por isso não consegue compreender a natureza assustadora dessa experiência.

Aumento da pressão arterial e outros sintomas

A ciência afirma que a primeira manifestação pode acontecer por algum motivo traumático ou estressante, que desestabiliza o indivíduo (mas isso não é regra, segundo algumas fontes). O humor, nesse período, se assemelha a uma montanha-russa, onde ocorrem picos de ansiedade, pressão e respiração acelerada. Em seguida, um estado de exaustão e sonolência, como se fosse o fim de uma guerra, passa a dominar o indivíduo.

Entre os variados sintomas da síndrome, estão: tonturas extremas, visão embaçada, formigamento espalhado pelo corpo, falta de ar, arrepios, preocupações obsessivas, pensamentos indesejados, aumento repentino nos batimentos cardíaco, respiração irregular, nervosismo extremo, desconforto em lugares fechados etc.

Em recente depoimento em um programa de televisão, o cardiologista Roberto Kalil explicou que “essa mudança brusca e completa do metabolismo, em que a vítima demonstra uma reação desproporcional, como se estivesse diante de uma ameaça real, causa um aumento tão grande da pressão arterial que a pessoa acha que está tendo um infarto e vai morrer”. Ainda segundo o especialista, o risco cardíaco é mínimo se o paciente for diagnosticado corretamente.

O convívio social e a realização de tarefas (até então normais) por parte dessas pessoas passam a ser restritos. Tamanha incapacidade é percebida pelas pessoas mais próximas. Essas restrições vão se impondo sucessivamente a tal ponto que o indivíduo pode optar a viver enclausurado em sua própria casa, ocasionando a agorafobia (medo apresentado diante de uma multidão e em lugares abertos), e viver dependente de terceiros. Alguns deles, sem informação ou tratamento devido, buscam refúgio no álcool e nas drogas.

É sempre importante lembrar e alertar que falamos de uma doença do foro psicológico. Sendo assim, algumas pessoas podem interpretar erroneamente os sintomas e, consequentemente, agravar a situação. Entrar em colapso porque você pensa que tem a síndrome do pânico acontece, e isso vai piorar a sua situação se encarar a doença como incurável. Ter um ataque de pânico ou uma crise específica não caracteriza a síndrome. Antes de procurar um médico específico (cardiologista ou psiquiatra), observe seus sintomas atenciosamente.

As crises também podem incluir fraqueza, desorientação e lesão de memória em longo prazo. É o que afirma o psiquiatra Figueira de Mello. Além disso, elas estão associadas a depressão e transtorno obsessivo-compulsivo, o conhecido “TOC”, que ocorrem paralelamente, sem relação de causa e efeito. “Sentir medo é necessário, pois se trata de uma proteção da vida que contribui para a evolução da espécie. Mas, quando se torna doença, tem controle – apesar de a cura total ser mais difícil de obter”, indica Mello.

Tratamento

O desafio deste tratamento não é uma tarefa impossível. Exercícios de respiração, terapias alternativas e remédios constituem um importante time para vencer o medo. Segundo especialistas, a cura não se dá de forma espontânea, o que significa que a sintomatologia (conjunto dos sintomas de determinada doença) não desaparece a menos que a pessoa receba tratamento específico e de qualidade.

Depois de muitos estudos, o tratamento que vem obtendo os melhores resultados tem se baseado em associar dois importantes itens: psicoterapia e medicação. Enquanto o primeiro auxilia a compreensão dos motivos do pânico e estimula as mudanças de atitudes necessárias para eliminá-lo, os medicamentos, em casos mais intensos, garantem o equilíbrio necessário ao paciente.

Geralmente, o processo da psicoterapia dura alguns meses. Se bem conduzido, em um primeiro momento, evita consideravelmente as crises ou pelo menos reduz a intensidade e frequência delas. Assim, a pessoa passa a aprender mais sobre os seus sintomas, sobre si e, principalmente, a agir em conformidade com essas (novas) descobertas e percepções. O paciente se tornará o próprio agente da mudança de seu estado.

Se você estiver passando por um ataque de pânico ou ver alguém em um, procure se acalmar e tranquilizar a pessoa, além de ter consciência de que a situação tem prazo de validade.

O governo federal oferece alguns pontos de atendimento. Entre eles, estão o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e o Centro de Atenção ao Psicossocial (CAPS). Informe-se em sua região e verifique a disponibilidade.

Pesquise:
portal.saude.gov.br/portal/saude/
dab.saude.gov.br


“80% das causas diagnosticadas são atribuídas ao estresse”
(Andreia Tonão, psicóloga)


1 - Como identificar o problema?

Primeiramente, devemos identificá-lo com a ajuda de um psiquiatra e, posteriormente, um psicólogo, que irá analisar os sinais e sintomas. Somente assim, teremos um diagnóstico correto.

2 – Quais as principais características apresentadas?

As principais características são taquicardia, sudorese, tremores, dispnéia,náuseas,formigamento em membros ou nos lábios. Nas crises intensas, os pacientes podem experimentar diversos graus de despersonalização, como sensação da cabeça ficar leve, de o corpo ficar estranho, perda do controle, autoestranhamento e desrealização (sensação de que o ambiente está estranho, não familiar).

3 – Quais os tratamentos mais indicados nesse caso?

O tratamento deve iniciar com ajuda de um psiquiatra, que utiliza alguns medicamentos, geralmente, antidepressivos ou ansiolíticos. Eles são acompanhados de psicoterapia para aliviar as sequelas no qual a medicação não atua.

4 – De que forma as pessoas mais próximas devem agir visando uma efetiva melhora?

O apoio e a compreensão da família e dos amigos são fundamentais em todos esses casos. É importante também que parte deles tenha o conhecimento mais aprofundado da doença, pois, assim, conseguirão auxiliar para que o tratamento se processe de forma mais rápida e eficaz.

5 – Existe cura?

A síndrome do pânico tem cura, sim. O ideal é fazer uso de itens importantes: os medicamentos, a psicoterapia e, o principal, a vontade de se curar.

6 – É possível evitá-la?

Não há dúvidas de que seja possível evitar a síndrome. Até porque 80% das causas diagnosticadas são atribuídas ao estresse. Seguindo algumas recomendações, diminuiremos esse risco. Entre elas, cito dormir bem, fazer atividades físicas, relaxar, respiração completa e profunda, fazer as refeições calmamente, evitar café, comer frutas e ser menos rigoroso consigo mesmo. Assim, estaremos mais próximos de uma vida mais saudável e feliz.

7 – Como a Psicologia colabora nesses casos?

Ela trabalha a ansiedade, as fobias e a mudança de atitude do paciente perante a doença. Volto a repetir: o entrosamento e a vontade de se curar são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Tadeu Inácio
Matéria divulgada na edição 40 da Revista Mais Destaque